O que é a meningite, causas, sintomas e tratamento da meningite. Classificação da meningite, nomeadamente meningite viral e meningite bacteriana.


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Sintomas da meningite

A meningite caracteriza-se por febre, cefaleia intensa, vómitos e sinais de irritação meníngea, acompanhadas de alterações do LCR. A irritação meníngea associa-se aos seguintes sinais: Sinal de Kernig (resposta em flexão da articulação do joelho, quando a coxa é colocada em certo grau de flexão, relativamente ao tronco) e Sinal de Brudzinski (flexão involuntária da perna sobre a coxa e desta sobre a bacia, ao se tentar fletir a cabeça do paciente). Crianças de até nove meses podem não apresentar os sinais clássicos de irritação meníngea, sendo que outros sinais e sintomas permitem a suspeita diagnóstica, como febre, irritabilidade ou agitação, choro persistente, grito meníngeo (criança grita ao ser manipulada, principalmente quando se flete as pernas para trocar a fralda) e recusa alimentação, acompanhada ou não de vómitos, convulsões e abaulamento da fontanela. O indivíduo que apresentar três ou mais sinais e sintomas descritos pode ser considerado caso suspeito de meningite.

Meningite Viral

A meningite viral geralmente melhora dentro de um par de semanas, com muito descanso e analgésicos para a dor de cabeça.

Meningite bacteriana

A meningite bacteriana é tratada com antibióticos (medicamento que trata as infecções causadas por bactérias). O tratamento vai exigir a admissão ao hospital em casos graves que são tratados numa unidade de terapia intensiva para que as funções vitais do corpo possam ter o apoio adequado.

Meningite por parasitas ou fungos

A meningite causada por parasitas ou fungos necessitam de tratamentos específicos (anti-parasitários ou anti-fúngicos).

Várias décadas atrás, quase todas as pessoas que tiveram meningite bacteriana tinham grande probabilidade de morrer. Hoje em dia, as mortes são causadas principalmente por septicemia (envenenamento do sangue), em vez de meningite. A doença meningocócica (a combinação de meningite e septicemia) provoca a morte em cerca de um em cada 10 casos.
Até um quarto da população pode apresentar complicações, como perda de audição, depois de ter meningite bacteriana.


Causa mais comum da meningite

A causa mais comum da meningite é infecciosa, mas alguns agentes químicos e células tumorais (neoplasias) também podem provocar meningite. Fenômenos irritativos de curta duração nas meninges podem ser desencadeados por contrastes radiológicos ou radioisótopos no sistema LCR, com reação inflamatória e presença de poliformonucleares.
Diversos microrganismos patogênicos, além dos vírus e bactérias, podem causar meningite, e raramente fungos, protozoários e helmintos infectam as meninges. Do ponto de vista de saúde pública, as meningites infecciosas, principalmente as causadas por bactérias e vírus, são as mais importantes pela sua ocorrência e potencial de produzir surtos. A tabela 1 mostra os principais agentes etiológicos causadores da meningite.
Para a meningite infecciosa se desenvolver, o microrganismo patogênico atravessa o organismo humano, cruzando a barreira hematoencefálica e a barreira sangue-líquido cefalorraquidiano. O LCR também pode ser contaminado por um ferimento que penetre nas meninges, em consequência de um trauma, procedimento clínico, cirúrgico ou malformação congênita, como a mielomeningocele.
Considerando-se que o liquor não produz anticorpos e que as imunoglobulinas do sangue não têm acesso ao LCR, o microrganismo infectante se desenvolve facilmente disseminando-se pela circulação do liquor, com conseqüente inflamação meníngea.

Quando procurar ajuda para a meningite?

Se você suspeita que seu filho ou alguém que você conhece tem meningite, procure assistência médica imediatamente.
Consulte o médico e descreva os sinais e sintomas.
Vá imediatamente para a sala de emergência mais próxima, se um médico não estiver acessível imediatamente. A pessoa que está doente não deve conduzir. 


O que é meningite

A meningite é a inflamação das meninges, que são comprometidas por microrganismos patogénicos. Dentre as infecções do sistema nervoso central, a meningite apresenta as mais altas taxas de morbidade e mortalidade.
No passado, esta doença levava a maioria dos pacientes a óbito, deixando sequelas neurológicas nos pacientes que sobreviviam. Com o conhecimento mais profundo da patologia, a evolução das técnicas de diagnóstico e o desenvolvimento dos antibióticos e vacinas, a taxa de mortalidade e as sequelas diminuíram, permitindo aos pacientes melhor qualidade de vida.
A meningite pode ser causada por diversos microrganismos patogénicos, como bactérias, vírus e fungos. Pessoas de qualquer idade podem contrair meningite e crianças menores de 5 anos são as mais vulneráveis.
Paciente com febre alta e vómito, sem foco de infecção aparente, acompanhado de cefaleia intensa, rigidez de nuca, sonolência, torpor, irritação, diminuição da sucção em lactentes, abaulamento de fontanela e convulsões deve ser considerado caso suspeito de meningite e o tratamento deve ser iniciado imediatamente, mesmo antes da confirmação do agente infeccioso.
As meningites infecciosas constituem um problema de saúde pública nacional e mundial, por sua capacidade de produzir surtos. Todos os casos suspeitos devem ser notificados e investigados de forma oportuna e adequada.
Diante deste quadro, torna-se importante o conhecimento da patologia e todos os aspectos relacionados, para que se possa atuar de forma preventiva e corretiva com eficácia.


Diagnóstico da meningite

Os desafios de diagnóstico em pacientes com quadro clínico de meningite são os seguintes:
- A identificação precoce e tratamento de pacientes com meningite bacteriana aguda;
- Avaliar se uma infecção tratável está presente em casos de suspeita de meningite subaguda ou crónica;
- Identificar o organismo causador;

Estudos sanguíneos que podem ser úteis incluem:
- Hemograma completo com diferencial;
- Eletrólitos séricos;
- Glucose no soro;
- Uréia creatinina e perfil hepático;

Além disso, os seguintes ensaios podem ser encomendados:
- Sangue, nasofaringe, secreção respiratória, urina ou culturas de lesão da pele
- Teste de sífilis;
- Teste de procalcitonina sérica
- A punção lombar e análise do LCR;
- CT da cabeça e ressonância magnética do cérebro).


Meningite bacteriana no Mundo

As meningites têm distribuição mundial e sua expressão epidemiológica depende de diferentes fatores, como o agente infeccioso, a existência de aglomerados populacionais, características socioeconómicas dos grupos populacionais e do meio ambiente (clima).
De modo geral, a sazonalidade da doença caracteriza-se pelo predomínio das meningites bacterianas no inverno e das meningites virais no verão. A N. meningitidis é a principal bactéria causadora de meningite. Tem distribuição mundial e potencial de ocasionar epidemias. Acomete indivíduos de todas as faixas etárias, porém apresenta uma maior incidência em crianças menores de 5 anos, especialmente em lactentes entre 3 e 12 meses. Durante epidemia, observam-se mudanças nas faixas etárias afetadas, com aumento de casos entre adolescentes e adultos jovens. O “cinturão africano” – região ao norte da África – é frequentemente acometido por epidemias causadas por esse agente.


Epidemias de meningite

As epidemias de meningite são causadas por uma bactéria chamada meningococo (Neisseria meningitidis). Normalmente ocorrem na época fria e seca. A via de transmissão é a via respiratória. As epidemias são mais frequentes em comunidades fechadas, principalmente quartéis. Mas podem ocorrer em qualquer comunidade onde as pessoas vivem em más condições, com muitas pessoas dormindo no mesmo quarto e falta de ventilação.
Durante as epidemias de meningite devida ao meningococo podem morrer muitas pessoas.
Sempre que surja um caso de meningite deve-se pensar na possibilidade duma epidemia.
Deve-se ter sempre presente que um caso de meningite meningocócica pode ser indicativo do início duma epidemia, especialmente nos lugares onde muitas pessoas estão juntas, como os quartéis, creches, internatos, orfanatos, acampamentos. Numa zona rural, apenas um caso é sinal de alerta dum possível epidemia.

Conceito de meningites

As meningites, inflamações das membranas que recobrem o sistema nervoso central, apresentam etiologias diversas, como infecção por bactérias, vírus, fungos e parasitas, além de algumas causas não infecciosas.
São doenças endêmicas, que ocorrem em todo o mundo, tanto em zona rural quanto em áreas urbanas, e podem acometer indivíduos de todas as idades, principalmente crianças.
A doença de etiologia bacteriana é mais frequente no inverno e na estação seca, mas casos esporádicos são notificados durante todo o ano. A bactéria pertencente à espécie Neisseria meningitidis (meningococo) têm potencial de produzir surtos, por vezes explosivos. No chamado “cinturão africano das meningites”, região que inclui vários países do norte da África, já houve registro de epidemias com taxas de incidência de até 1000 casos por 100.000 habitantes.
Tanto o meningococo quanto outros microrganismos podem causar quadros graves, por vezes de início súbito, que podem levar ao óbito em menos de 24 horas, ou deixar seqüelas permanentes. A transmissão das meningites ocorre a partir da inalação de gotículas de secreção de vias aéreas contendo microrganismos, ou através do contato direto com as mesmas. Na maioria dos casos esporádicos da doença, a transmissão ocorre a partir de portadores assintomáticos.

Meningites

As meningites são doenças graves, de evolução rápida, cujo prognóstico depende fundamentalmente do diagnóstico precoce e da instituição imediata de tratamento adequado. Caracterizam-se por febre alta e repentina, cefaléia intensa, náuseas, vômitos muitas vezes em jato, com sinais de irritação meníngea e alterações do líquor, acompanhados algumas vezes por manifestações cutâneas tipo petéquias. São características de irritação meníngea: rigidez de nuca (limitação à flexão do pescoço e à retração da cabeça devido à dor); Sinal de Kernig (flexão da perna sobre a coxa e desta sobre a bacia ao se elevar o tronco, quando em decúbito dorsal) e Sinal de Brudzinski (mesmo movimento de flexão ao se antefletir a cabeça). 
Dependendo do grau de comprometimento encefálico, podem aparecer também convulsões, paralisias, tremores, transtornos pupilares, hipoacusia e ptose palpebral. Delírio e coma podem surgir no início da doença e casos fulminantes com sinais de choque. 
Esses sintomas, no entanto, nem sempre estão presentes no seu conjunto, o que pode levar as dúvidas para o seu diagnóstico, principalmente na fase inicial da doença. A coleta e a análise do líquor, no entanto, constitui fator essencial para esse diagnóstico. Crianças abaixo de nove meses, raramente apresentam sinais de irritação meníngea.  Outros sinais permitem a suspeita, como, febre, irritabilidade, grito meníngeo, recusa alimentar, vômitos, convulsões e abaulamento da fontanela.

Prevenção e controle da meningite

Para alguns dos agentes infecciosos causadores das meningites é possível dispor de medidas de prevenção primária, tais como vacinas e quimioprofilaxia. O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para um bom prognóstico da doença.


1 QUIMIOPROFILAXIA
A quimioprofilaxia não assegura efeito protetor absoluto e prolongado, mas é uma medida eficaz na prevenção de casos secundários, sendo indicado para os contatos íntimos nos casos de doença meningocócica e meningite por Haemophilus influenzae e para o paciente no momento da alta (exceto se o tratamento foi com ceftriaxona, pois esta droga é capaz de eliminar o meningococo da orofaringe). A rifampicina é a droga de escolha para a quimioprofilaxia, administrada em dose adequada e simultaneamente a todos os contatos íntimos, no prazo de 48 horas da exposição à fonte de infecção, considerando o período de transmissibilidade da doença. O uso restrito da droga evita a seleção de meningococos resistentes.

2 IMUNIZAÇÃO
As vacinas contra meningite são específicas para diferentes agentes etiológicos, sendo que algumas fazem parte do calendário básico de vacinação da criança e outras estão indicadas apenas em situações de surto.
A educação da população em saúde é uma forma de prevenir e controlar doenças infecciosas. Portanto, a população deve ser orientada para os sinais e sintomas desta doença, hábitos, condições de higiene e disponibilidade de demais medidas de controle e prevenção, como quimioprofilaxia e vacinas. A população deve procurar o serviço de saúde imediatamente em caso de suspeita da doença.
As estratégias para prevenção e controle incluem:
- Orientação sobre higiene corporal e ambiental, bem como manutenção de ambientes domiciliares e ocupacionais ventilados, evitando aglomeração depessoas em ambientes fechados;
- Mecanismos de transmissão da doença;
- Capacitação de profissionais de saúde para diagnóstico e tratamento precoces;
- Notificação de todos os casos suspeitos às autoridades de saúde;
- Investigação imediata dos casos notificados como meningite;
- Realização de quimioprofilaxia dos contatos íntimos, quando aplicável;
- Manutenção da cobertura vacinal contra BCG e Hib;
- Detecção precoce e investigação rápida de surtos;
- Realização da vacinação para bloqueio de surtos, quando aplicável.

Meningite em crianças

  • A escolha do antibiótico para o tratamento da meningite aguda da criança sempre foi, na maior parte dos casos, empírica; levando-se em consideração as bactérias incidentes na faixa etária do paciente.
  • Classicamente, os estudos epidemiológicos determinavam que o tratamento antibiótico deveria focalizar nos recém-nascidos os bacilos entéricos gram-negativos, o estreptococo do grupo B e, eventualmente,a listeria; em crianças de 3 meses a 5 anos -o pneumococo, o hemófiloe o meningococo; nos maiores -o pneumococo e o meningococo.
  • Para estas bactérias a escolha terapêutica preferencial seria uma cefalosporinade terceira geração (enterobactéria/hemófilo), penicilina (meningococo/pneumococo), ampicilina(listeria), ou penicilina e aminoglicosídeo(estreptococo).

Meningites Crônicas

  • Meningite crônica é uma síndrome que se caracteriza por febre, cefaléia, letargia, confusão mental, náuseas, vômitos, rigidez nucal, com alterações liquóricas, com duração de 4 semanas ou mais.
  • Geralmente, a meningite crônica atinge indivíduos cujo sistema imune está comprometido devido à AIDS, à um câncer, à outras doenças graves, a medicamentos anticâncer ou ao uso prolongado de prednisona.
  • Alguns organismos infecciosos podem invadir o cérebro e desenvolver-se muito lentamente, causando sintomas e lesões de uma forma gradual. Os mais comuns são o fungo Cryptococcus; o citomegalovírus; o vírus da AIDS; e as bactérias que causam a tuberculose, a sífilis e a doença de Lyme.

Meningite fúngica

As meningites causadas por agentes fúngicos podem ocorrer como infecções oportunistas ou surgir em hospedeiros imunocomprometidos (diabetes, doença maligna, terapia iminossupressora ou AIDS). Os agentes patológicos habituais são:
Cryptococcus neofarmans, Coccidioides immitis, Candida albicans, Aspergillus spp, Histoplasma capsulatum, Blatomyces e Mucor spp. A meningite crônica pode ser causada por fungos dos gêneros Coccidioides e Candida.
O diagnóstico feito por exame de LCR mostra pleiocitose mista, com predomínio linfocítico, níveis elevados de proteínas, níveis de glicose normais ou ligeiramente diminuídos; coloração de tintura da Índia pode identificar Cryptococcus; geralmente cultura positiva para fungos e teste de aglutinação com látex para antígeno criptocócico sensível para este organismo.
Devido a variabilidade clínica e patológica, a resposta à meningite criptocócica depende do estado imunológico do paciente. Os criptococos do LCR podem provocar desde uma resposta inflamatória trivial, mesmo com grande número de organismos nos espaços subaracnóide e perivascular (pacientes com depressão de imunidade) até meningite crônica acentuada. A evolução clínica pode ser indolente por meses ou anos, ou pode ser fulminante ou fatal em duas semanas.
Geralmente, a meningite fúngica causada por Mucor e Aspergillus leva à inflamação e necroses locais e o desbridamento cirúrgico pode ser necessário. A meningite crônica resulta da reação inflamatória contínua no espaço subaracnóide e a fibrose aracnóide pode causar hidrocefalia; a endarterite obliterativa pode resultar em isquemia ou infarto do encéfalo que depende da artéria ocluída, com resultado catastrófico como na oclusão da artéria espinhal anterior.
Hidrocefalia, paralisia dos nervos cranianos, arterite com infarto cerebral e formação de abscessos são algumas das complicações descritas para a meningite fúngica).
Biópsia, cultura de tecidos ou sorologia são métodos confiáveis para diagnóstico de infecções fúngicas intracranianas.
A base do tratamento das infecções fúngicas é a anfotericina B, seguindo protocolo bem estabelecido em função de sua alta incidência de toxicidade, com 1 mg por dia, dobrando-se a dose diariamente até alcançar 16 mg/dia, para alcançar a<dose terapêutica de 0,5 a 1,5 mg/kg por dia. Fluocitosina,<miconazol, cetoconazol e fluconazol são efetivos anti-fúngicos.
Todos os grupos etários são susceptíveis à infecção fúngica. A cura<permanente é exceção, com mortalidade comum, especialmente nas infecções nãocriptocócicas<(50-90%) e os pacientes com infecções criptocócicas normalmente precisam de tratamento por toda a vida.

Tratamento de meningite viral

O tratamento das meningites virais é de suporte: 
antitérmicos como dipirona, antieméticos (metoclopramida), cabeceira elevada a 30º. Se o paciente estiver sonolento ou confuso ou com dificuldade de deglutição, deverá ser mantida sonda nasogástrica para hidratação adequada e evitar broncoaspiração.
Nos casos de herpes vírus pode ser utilizado o aciclovir com a seguinte posologia: 10 mg/kg/dose a cada oito horas, por 14 a 21 dias. A punção liquórica alivia a cefaléia por diminuir a pressão intracraniana.
Os casos de internação são excepcionais, apenas para evitar a desidratação provocada pelos vômitos, diminuir a cefaléia e melhorar as condições gerais. O uso de corticosteróides é discutível, assim como a gamaglobulina.
Em surtos do tipo caxumba, faz-se busca ativa dos casos e o bloqueio da transmissão por meio da imunização.

Meningite viral

A meningite viral caracteriza-se por um quadro clínico de alteração neurológica, que, em geral, evolui de forma  enigna. Os casos podem ocorrer isoladamente, embora o aglomerado de casos (surtos) seja comum.
Indivíduos de todas as idades são suscetíveis, porém a faixa etária de maior risco é a de menores de cinco anos. Aproximadamente 85% dos casos são devido ao grupo dos Enterovírus, dentre os quais se destacam os Poliovírus, os Echovírus e os Coxsackievírus dos grupos A e B 1,2. O manejo deve ser adequado para cada etiologia. Apresentam-se a seguir as principais etiologias, manejo, possibilidade diagnóstica e tratamento desta entidade nosológica.
A meningite viral é geralmente benigna, na maioria dos casos com líquor de celularidade de 50 a 500 células/mm, com predomínio de linfomononuclear.
Caracteriza-se por um quadro clínico de alteração neurológica que, em geral, evolui de forma benigna.
Os casos podem ocorrer isoladamente, embora o aglomerado de casos (surtos) seja comum. Indivíduos de todas as idades são suscetíveis, mas a faixa etária de maior risco é a de menores de cinco anos (Tabela).
Agentes etiológicos mais freqüentes No grupo dos Enterovírus, destacam-se os da família Picornaviridae: Echovirus, os Poliovírus e os Coxsackievírus dos grupos A e B.

Bactérias que causam meningite

Três espécies de bactérias são as principais responsáveis por causar meningite.
A Neisseria meningitidis pode causar doença em pessoas de todas as idades. Em qualquer momento da vida, cerca de 5 a 15% das pessoas têm estas bactérias na garganta ou nariz, porém não ficam doentes. A transmissão ocorre pela saliva por meio do beijo, do compartilhamento de alimentos, de bebidas ou de cigarros, assim como por contato próximo a pessoas infectadas que estejam tossindo ou espirrando. As pessoas que tiveram contato íntimo com a saliva de alguém com meningite causada por este tipo de bactéria podem necessitar de tratamento preventivo com antibiótico para não adoecer. Os principais sorogrupos de meningococo são A, B e C, sendo o sorogrupo C atualmente o mais freqüente. A meningite causada por estas bactérias é chamada “meningocócica”. A meningite por meningococo tem importância devido à gravidade do quadro clínico, rápida evolução e pela possibilidade de causar surtos ou epidemias. Existem vacinas que podem ser aplicadas para ajudar na prevenção de alguns sorogrupos de meningite.
O Haemophilus influenzae também pode causar meningite, sendo o tipo b o mais comum. A vacina chamada “Hib”, contra o tipo b, evita esta doença em bebês muito novos e crianças. Pessoas que tiveram contato íntimo com a saliva de pessoas com meningite causada por este tipo de bactéria podem necessitar de tratamento com antibiótico para não adoecer.
O Streptococcus pneumoniae causa infecções nos pulmões e no ouvido, mas também podem causar a meningite
“pneumocócica”. Existem vários sorotipos de pneumococo. A maioria das pessoas que tem estas bactérias na garganta continua saudável. No entanto, indivíduos com problemas crônicos de saúde ou com o sistema imune enfraquecido, assim como os muito jovens ou muito velhos, têm risco aumentado de apresentar meningite pneumocócica. A meningite causada pelo Streptococcus pneumoniae não é transmitida de pessoa para pessoa. As pessoas com contato próximo com alguém que tenha meningite pneumocócica não precisam tomar antibióticos, preventivamente.

Tratamento da meningite bacteriana aguda

Considerando a alta letalidade e as seqüelas associadas às meningites bacterianas agudas deve-se instituir o tratamento antimicrobiano antes dos resultados dos exames. Sua eficácia depende de vários fatores, como susceptibilidade do microrganismo ao antimicrobiano utilizado, atividade bactericida deste agente, capacidade da droga em penetrar no SNC, etc.
A escolha inicial da terapia antimicrobiana deve se basear em sua ação bactericida sobre os agentes mais freqüentes, na faixa etária do paciente, no local de aquisição (hospitalar ou comunitária), assim como a análise dos fatores de risco. Após o antibiograma e a identificação completa do agente, deve ser realizada a adequação da terapia.

Meningite bacteriana aguda

A meningite bacteriana aguda é um processo inflamatório que envolve a aracnóide, pia-máter e o líquor cefalorraquidiano (LCR), decorrente da invasão do sistema nervoso central por bactérias. É uma infecção associada a significativa morbi-mortalidade em adultos e crianças. O risco do desenvolvimento de complicações ou óbito está relacionado à idade, condições clínicas prévias, o agente causal, gravidade da infecção e o retardo na instituição da terapia adequada.
O manuseio adequado do paciente com meningite bacteriana aguda depende do reconhecimento precoce desta síndrome infecciosa, assim como da avaliação diagnóstica e na instituição rápida da terapia antimicrobiana e adjuvante.
Todas as meningites são de notificação compulsória, mesmo na suspeita (lembre-se de entrar em contato com o SCIH).
Considera-se como caso suspeito de meningite bacteriana aguda, todo paciente com quadro de febre alta, de inicio súbito, vômitos, sem outro foco infeccioso aparente, acompanhado de cefaléia intensa, rigidez de nuca, sonolência, torpor, irritação, diminuição da sucção em lactentes, abaulamento de fontanela e convulsões.

Meningite bacteriana no mundo

As meningites têm distribuição mundial e sua expressão epidemiológica depende de diferentes fatores, como o agente infeccioso, a existência de aglomerados populacionais, características socioeconômicas dos grupos populacionais e do meio ambiente (clima).
De modo geral, a sazonalidade da doença caracteriza-se pelo predomínio das meningites bacterianas no inverno e das meningites virais no verão. A N. meningitidis é a principal bactéria causadora de meningite. Tem distribuição mundial e potencial de ocasionar epidemias. Acomete indivíduos de todas as faixas etárias, porém apresenta uma maior incidência em crianças menores de 5 anos, especialmente em lactentes entre 3 e 12 meses.
Durante epidemia, observam-se mudanças nas faixas etárias afetadas, com aumento de casos entre adolescentes e adultos jovens. O “cinturão africano” – região ao norte da África – é freqüentemente acometido por epidemias causadas por esse agente.

Tratamento da meningite bacteriana

  • A meningite bacteriana é tratada imediatamente com antibióticos intravenosos e com corticosteróides também administrados por via intravenosa a fim de suprimir a inflamação.
  • O médico pode utilizar um ou mais antibióticos para atingir as bactérias que provavelmente são as responsáveis pela infecção.
  • Após a identificação da bactéria específica (um ou dois dias depois), os antibióticos podem ser substituídos por outros mais adequados para combater a infecção. O tratamento também inclui a reposição de líquido que o indivíduo perdeu devido à febre, ao suor, ao vômito e à falta de apetite.

Sintomas da meningite bacteriana

A meningite bacteriana normalmente apresenta cefaléia, febre, letargia, vômitos freqüentemente com sinais neurológicos focais e convulsões. Os pacientes podem ter antecedentes respiratório ou infecção sinusal. Cefaléia e dor nucal são proeminentes e estão relacionadas à fotofobia, náusea e vômitos. O meningismo é caracterizado pela resistência à flexão do pescoço – rigidez da nuca. A proteção das vias aéreas podem ser comprometidas pelas alterações de consciência e convulsões prolongadas).
A partir dos sinais descritos, a avaliação e início do tratamento devem ser rápidos, por ser uma doença com risco de vida.
As complicações e seqüelas de meningite bacteriana são principalmente devido a inflamação das meninges e seus vasos sanguíneos, que pode danificar cérebro ou nervos cranianos pela presença de convulsões, paralisias de nervos cranianos, lesões cerebrais focais, danos à medula espinhal ou às raízes nervosas e hidrocefalia.

Meningite tuberculosa

A meningite tuberculosa difere da meningite causada por outras bactérias por sua evolução mais demorada, mortalidade mais elevada, alterações do LCR de menor gravidade e o tratamento menos eficaz, com maior número de seqüelas . É uma meningite subaguda, onde o início dos sintomas não é agudo, com menor grau de inflamação e evolução mais protraída.
Esta meningite é uma complicação severa da tuberculose e o declínio dessa letalidade se deve a descoberta de quimioterápicos específicos para a tuberculose a partir de 1945, e atualmente é uma doença curável, se diagnosticada precocemente.
Se a prevalência da tuberculose é alta, a primo-infecção tuberculosa e a meningite tuberculosa se tornam freqüentes em idades mais baixas.
A meningite tuberculosa é prevalente nos grupos de alto risco, como imunocomprometidos, imigrantes de áreas endêmicas e pessoas altamente expostas (como membros da família e trabalhadores da saúde). Pode ocorrer em qualquer idade, sendo mais comum em crianças e adultos jovens, com suscetibilidade maior nos menores de cinco anos. A vacina BCG protege em torno de 80%, evitando a disseminação hematogênica do bacilo e o desenvolvimento de formas meníngeas.
A meningite tuberculosa, decorrente da disseminação hematogênica do bacilo, é uma das complicações mais graves da tuberculose A meningite tuberculosa deve ser diferenciada de outras doenças infecciosas que comprometem o sistema nervoso central, determinando manifestações clínicas e liquóricas semelhantes, dentre as quais, destacam-se: meningoencefalites virais, meningites bacterianas não tuberculosa (Haemophylus influenzae, Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis) e meningite fúngica (Cryptococcus neoformans). O diagnóstico precoce é importante e difícil, tornando importante valorizar os dados epidemiológicos e clínicos, indicando a análise liquótica nos casos de cefaléia e/ou vômitos persistentes, acompanhados ou não de hipertermia. Sem o diagnóstico e tratamento precoces não se evita seqüelas importantes e drásticas para a vida humana como aumento do perímetro encefálico, retardamento, espasticidade e hipertonicidade muscular.
O tratamento recomendado por Devisnky (2001) usa 4 drogas de primeira linha (rifampicina, isoniazida e pirazinamida e etambutol) nos primeiros 2 a 3 meses e redução para 2 drogas, se as sensibilidades às drogas é bem conhecida. Quando o paciente é sensível às drogas de primeira linha ou quando o microrganismo é resistente, recomenda-se drogas de segunda linha (estreptomicina, ciprofloxacina e etionamida). Davis (2003) recomenda a administração simultânea de três medicamentos - rifampicina, isoniazida e pirazinamida por 2 meses, seguido da combinação de rifampicina e isoniazida por 7 meses, que coincide com o esquema preconizado pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose.
Sem tratamento, a morte ocorre em 6 a 8 semanas. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a recuperação é alta, em torno de 90%. Sem o diagnóstico e tratamento precoces não se evita seqüelas importantes e drásticas para a vida.
Seqüelas ocorrem em cerca de 25% dos pacientes recuperados, variando de grau mínimo de fraqueza facial a grave desorganização intelectual ou física (inclui surdez, crises convulsivas, cegueira, hemiplegia, paraplegia e tetraplegia).
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