O que é a meningite, causas, sintomas e tratamento da meningite. Classificação da meningite, nomeadamente meningite viral e meningite bacteriana.


Fatores de risco para meningite

Fatores de risco para meningite incluem:
  • Ignorar as vacinações. Se você ou seu filho não tiverem concluído a infância com o esquema de vacinação, o risco de contrair meningite na fase adulta é maior.
  • Idade. A maioria dos casos de meningite viral ocorrem em crianças menores de 5 anos de idade. A meningite bacteriana afeta comumente as pessoas menores de 20 anos, especialmente aquelas que vivem em ambientes comunitários.
  • Viver em ambiente comunitário. Os estudantes universitários que vivem em dormitórios, pessoal em bases militares e crianças em colégios internos e creches estão em maior risco de contrair meningite meningocócica. Provavelmente, este risco aumentado ocorre porque a bactéria é transmitida por via respiratória e tende a espalhar-se rapidamente onde  congregam grandes grupos de pessoas.
  • Gravidez. Se você estiver grávida, você estará em maior risco de contrair listeriose, uma infecção causada pela bactéria listeria, que também pode causar meningite. Se você tiver listeriose, o feto também ficará em risco.
  • Sistema imunológico comprometido. Fatores que podem comprometer o seu sistema imunológico, incluindo AIDS, alcoolismo, diabetes e uso de drogas imunossupressoras, também podem torná-lo mais suscetível a meningite. A remoção do baço, uma parte importante de seu sistema imunológico, também pode aumentar o risco.

Sintomas da meningite

A meningite caracteriza-se por febre, cefaleia intensa, vómitos e sinais de irritação meníngea, acompanhadas de alterações do LCR. A irritação meníngea associa-se aos seguintes sinais: Sinal de Kernig (resposta em flexão da articulação do joelho, quando a coxa é colocada em certo grau de flexão, relativamente ao tronco) e Sinal de Brudzinski (flexão involuntária da perna sobre a coxa e desta sobre a bacia, ao se tentar fletir a cabeça do paciente). Crianças de até nove meses podem não apresentar os sinais clássicos de irritação meníngea, sendo que outros sinais e sintomas permitem a suspeita diagnóstica, como febre, irritabilidade ou agitação, choro persistente, grito meníngeo (criança grita ao ser manipulada, principalmente quando se flete as pernas para trocar a fralda) e recusa alimentação, acompanhada ou não de vómitos, convulsões e abaulamento da fontanela. O indivíduo que apresentar três ou mais sinais e sintomas descritos pode ser considerado caso suspeito de meningite.

Meningite Viral

A meningite viral geralmente melhora dentro de um par de semanas, com muito descanso e analgésicos para a dor de cabeça.

Meningite bacteriana

A meningite bacteriana é tratada com antibióticos (medicamento que trata as infecções causadas por bactérias). O tratamento vai exigir a admissão ao hospital em casos graves que são tratados numa unidade de terapia intensiva para que as funções vitais do corpo possam ter o apoio adequado.

Meningite por parasitas ou fungos

A meningite causada por parasitas ou fungos necessitam de tratamentos específicos (anti-parasitários ou anti-fúngicos).

Várias décadas atrás, quase todas as pessoas que tiveram meningite bacteriana tinham grande probabilidade de morrer. Hoje em dia, as mortes são causadas principalmente por septicemia (envenenamento do sangue), em vez de meningite. A doença meningocócica (a combinação de meningite e septicemia) provoca a morte em cerca de um em cada 10 casos.
Até um quarto da população pode apresentar complicações, como perda de audição, depois de ter meningite bacteriana.


Causa mais comum da meningite

A causa mais comum da meningite é infecciosa, mas alguns agentes químicos e células tumorais (neoplasias) também podem provocar meningite. Fenômenos irritativos de curta duração nas meninges podem ser desencadeados por contrastes radiológicos ou radioisótopos no sistema LCR, com reação inflamatória e presença de poliformonucleares.
Diversos microrganismos patogênicos, além dos vírus e bactérias, podem causar meningite, e raramente fungos, protozoários e helmintos infectam as meninges. Do ponto de vista de saúde pública, as meningites infecciosas, principalmente as causadas por bactérias e vírus, são as mais importantes pela sua ocorrência e potencial de produzir surtos. A tabela 1 mostra os principais agentes etiológicos causadores da meningite.
Para a meningite infecciosa se desenvolver, o microrganismo patogênico atravessa o organismo humano, cruzando a barreira hematoencefálica e a barreira sangue-líquido cefalorraquidiano. O LCR também pode ser contaminado por um ferimento que penetre nas meninges, em consequência de um trauma, procedimento clínico, cirúrgico ou malformação congênita, como a mielomeningocele.
Considerando-se que o liquor não produz anticorpos e que as imunoglobulinas do sangue não têm acesso ao LCR, o microrganismo infectante se desenvolve facilmente disseminando-se pela circulação do liquor, com conseqüente inflamação meníngea.

Quando procurar ajuda para a meningite?

Se você suspeita que seu filho ou alguém que você conhece tem meningite, procure assistência médica imediatamente.
Consulte o médico e descreva os sinais e sintomas.
Vá imediatamente para a sala de emergência mais próxima, se um médico não estiver acessível imediatamente. A pessoa que está doente não deve conduzir. 


O que é meningite

A meningite é a inflamação das meninges, que são comprometidas por microrganismos patogénicos. Dentre as infecções do sistema nervoso central, a meningite apresenta as mais altas taxas de morbidade e mortalidade.
No passado, esta doença levava a maioria dos pacientes a óbito, deixando sequelas neurológicas nos pacientes que sobreviviam. Com o conhecimento mais profundo da patologia, a evolução das técnicas de diagnóstico e o desenvolvimento dos antibióticos e vacinas, a taxa de mortalidade e as sequelas diminuíram, permitindo aos pacientes melhor qualidade de vida.
A meningite pode ser causada por diversos microrganismos patogénicos, como bactérias, vírus e fungos. Pessoas de qualquer idade podem contrair meningite e crianças menores de 5 anos são as mais vulneráveis.
Paciente com febre alta e vómito, sem foco de infecção aparente, acompanhado de cefaleia intensa, rigidez de nuca, sonolência, torpor, irritação, diminuição da sucção em lactentes, abaulamento de fontanela e convulsões deve ser considerado caso suspeito de meningite e o tratamento deve ser iniciado imediatamente, mesmo antes da confirmação do agente infeccioso.
As meningites infecciosas constituem um problema de saúde pública nacional e mundial, por sua capacidade de produzir surtos. Todos os casos suspeitos devem ser notificados e investigados de forma oportuna e adequada.
Diante deste quadro, torna-se importante o conhecimento da patologia e todos os aspectos relacionados, para que se possa atuar de forma preventiva e corretiva com eficácia.


Diagnóstico da meningite

Os desafios de diagnóstico em pacientes com quadro clínico de meningite são os seguintes:
- A identificação precoce e tratamento de pacientes com meningite bacteriana aguda;
- Avaliar se uma infecção tratável está presente em casos de suspeita de meningite subaguda ou crónica;
- Identificar o organismo causador;

Estudos sanguíneos que podem ser úteis incluem:
- Hemograma completo com diferencial;
- Eletrólitos séricos;
- Glucose no soro;
- Uréia creatinina e perfil hepático;

Além disso, os seguintes ensaios podem ser encomendados:
- Sangue, nasofaringe, secreção respiratória, urina ou culturas de lesão da pele
- Teste de sífilis;
- Teste de procalcitonina sérica
- A punção lombar e análise do LCR;
- CT da cabeça e ressonância magnética do cérebro).


Meningite bacteriana no Mundo

As meningites têm distribuição mundial e sua expressão epidemiológica depende de diferentes fatores, como o agente infeccioso, a existência de aglomerados populacionais, características socioeconómicas dos grupos populacionais e do meio ambiente (clima).
De modo geral, a sazonalidade da doença caracteriza-se pelo predomínio das meningites bacterianas no inverno e das meningites virais no verão. A N. meningitidis é a principal bactéria causadora de meningite. Tem distribuição mundial e potencial de ocasionar epidemias. Acomete indivíduos de todas as faixas etárias, porém apresenta uma maior incidência em crianças menores de 5 anos, especialmente em lactentes entre 3 e 12 meses. Durante epidemia, observam-se mudanças nas faixas etárias afetadas, com aumento de casos entre adolescentes e adultos jovens. O “cinturão africano” – região ao norte da África – é frequentemente acometido por epidemias causadas por esse agente.


Prevenção da meningite bacteriana

A meningite é uma doença que consiste na inflamação das meninges, membranas que envolvem o encéfalo e a medula espinhal, podendo ser causada principalmente por vírus ou bactérias. O quadro da meningite viral é mais leve, e seus sintomas assemelham-se aos sintomas da gripe. Já a meningite bacteriana é causada por meningococos, pneumococos ou hemófilos, sendo altamente contagiosa e geralmente torna-se grave. A meningite bacteriana é causada pela Neisseria Meningitidis, e o homem é o único hospedeiro natural desta bactéria, cujas sequelas podem ser variadas, desde dificuldades no aprendizado, paralisia cerebral ou problemas com surdez.
A transmissão dá-se pelo contato da saliva ou gotículas de saliva da pessoa doente com órgãos respiratórios de um indivíduo saudável. Crianças de até seis anos de idade são mais vulneráveis já que não têm o seu sistema imunológico completamente consolidado. Os sintomas são de febre alta, fortes dores de cabeça, vómitos, rigidez no pescoço, moleza, irritação, fraqueza e manchas vermelhas na pele.
A prevenção contra a meningite bacteriana consiste basicamente em manter hábitos de higiene e na vacinação. Um cuidado essencial é lavar as mãos com água e sabão frequentemente ou higienizar as mãos com álcool. Outro cuidado essencial é manter os ambientes sempre ventilados, bem como não compartilhar objetos como pratos, copos e talheres. Estas ações ajudam a interromper a transmissão dos germes.
Hoje em dia existem vacinas eficientes contra o meningococo C, estando disponíveis para menores de 2 anos. A vacinação prepara o organismo para combater uma infecção, fazendo com que o organismo promova a produção de anticorpos e se defenda contra a bactéria, caso a criança entre em contato com a doença. Por isso, são extremamente importantes e garantem o desenvolvimento saudável da criança.



O que é meningite viral

A meningite viral é uma doença comum causada por um vírus que infecta o revestimento externo do cérebro e medula espinhal. É geralmente menos grave do que a meningite bacteriana. A maioria das pessoas com meningite viral recupera totalmente dentro de uma semana. Todos os anos milhares de pessoas adquirem meningite viral, e o número de afetados varia muito de ano para ano. A meningite viral é mais comum no final do verão e início do outono, mas pode ocorrer a qualquer momento. É muito mais comum em crianças com menos de 1 ano de idade, mas pode ocorrer em pessoas de qualquer idade. 

Existem muitos vírus que podem causar meningite. Os mais comuns são os vírus que vivem no intestino chamados de "enterovírus". Os enterovírus são espalhados pelo contato com fezes, nariz e garganta descargados de uma pessoa infectada, ou através da saliva. A maior parte das pessoas que estão infectadas por estes vírus não apresentam sintomas ou apresentam sintomas intestinais leves. Apenas um pequeno número de pessoas infectadas por estes vírus vai contrair meningite. Os vírus espalham-se através de picadas de mosquitos, como o vírus do Nilo Ocidental (conhecido como "arbovírus") que também pode causar meningite. Outros vírus que podem causar meningite são mais raros, como o sarampo e a caxumba, vírus herpes e HIV.

Os sintomas mais comuns em pessoas com meningite viral são febre, dor de cabeça, rigidez do pescoço e fadiga. Algumas pessoas também podem apresentar erupção cutânea, dor de garganta, diarreia ou vômitos. Os bebés podem ser mais irritáveis ou irritadiços, podendo não fazer uma alimentação adequada motivando que fiquen mais sonolentos do que o habitual.

É difícil diferenciar através dos sintomas por si só, a meningite viral e as formas mais graves de meningite causadas por bactérias. Testes de laboratório podem ser feitos sobre o fluido que rodeia o cérebro e a medula espinhal. 

Não existe tratamento específico para a meningite viral e a maioria das pessoas se recupera dentro de uma semana a dez dias. Seu médico pode recomendar repouso, beber muito líquido e pode ainda prescrever medicamentos para controlar a febre e a dor. É importante consultar um médico, se você achar que tem meningite, porque ele pode testar a meningite bacteriana, que pode precisar de medicamentos específicos para o seu tratamento.

Causa da infeção da meningite

A identificação da causa da meningite é essencial na definição do tratamento que deve ser implementado. É importante saber a causa da meningite, em especial quando se trata de infeções virais, bacterianas, ou algum por qualquer outro micro-organismo. A meningite viral pode ser grave, mas geralmente não é tão ruim quanto a meningite causada por bactérias. Uma pessoa com meningite viral ainda pode precisar de ficar no hospital por alguns dias, e isso pode levar semanas antes que ela possa sentir-se melhor.
Os antibióticos não funcionam contra vírus, pelo que uma pessoa que apresente meningite viral vai precisar de muito descanso para combater a infeção. "Meningite fúngica é tratada com longos cursos de altas doses de medicamentos anti-fúngicos, geralmente administrados por via intravenosa, no hospital. Os sintomas da meningite fúngica, muitas vezes aparecem de forma mais gradual do que outras formas. A meningite bacteriana é a forma mais grave e precisa ser identificada pelas bactérias específicas que a causam. Este é um dado primordial para definir os antibióticos adequados que podem ser administrados.
O diagnóstico precoce e o tratamento com antibióticos podem reduzir a gravidade e disseminação da meningite bacteriana; sendo muito importante para evitar as complicações da doença, que pode incluir perda auditiva, problemas de aprendizagem, danos cerebrais e morte.
A meningite bacteriana é muito grave, e uma pessoa terá que ficar no hospital durante o tratamento. Antibióticos fortes serão administrados para combater as bactérias. Fluidos contendo glicose (açúcar) e minerais também podem ser dados para ajudar na recuperação do paciente. A única maneira de saber com certeza qual o organismo que está causando meningite é através da coleta e teste de uma amostra do líquido cefalorraquidiano infetado. Este procedimento é feito por meio de uma punção lombar, em que uma agulha é inserida numa área na parte inferior das costas onde o fluido no canal espinhal é facilmente acessível. Identificação do tipo de bactéria responsável é importante para a seleção de antibióticos corretos. Seu médico também pode realizar outros testes, como:
• exames de imagem (raios-x ou tomografia computadorizada) da cabeça, peito ou seios para procurar inchaço, inflamação ou infeção, bem como para excluir outras doenças cerebrais, como tumores ou hemorragias; e
• testes sanguíneos para procurar aumento de células brancas do sangue, os quais indicam a infeção, ou para usar em ensaios de crescimento de micro-organismos.
Lembre-se de que o cérebro e medula espinal são os centros de comando do corpo. Eles permitem-nos falar, ouvir, compreender, ver, mover e sentir. O fluido cerebrospinal em torno do cérebro e da medula espinhal age como um amortecedor e protege o cérebro e medula espinal de lesão, enquanto que as meninges (membranas em torno deles) ajudam a prevenir que o líquido cefalorraquidiano vaze para o exterior.
Se suspeitar de meningite, procure urgentemente ajuda médica.

Sinais e sintomas de meningite

Os sinais e sintomas de meningite podem parecer muito semelhantes aos do vírus do resfriado comum ou da gripe (influenza). Por esta razão, é muito importante prestar muita atenção aos sintomas. Será melhor errar e consultar um médico e descobrir que não tem meningite do que esperar e descobrir que tem meningite, quando o dano já pode ter ocorrido devido ao tratamento tardio. 
Os sintomas clássicos da meningite em qualquer pessoa com idade superior a dois anos, geralmente incluem início súbito de:
• Febre alta;
• Dor de cabeça (geralmente grave e não facilmente confundida com outros tipos de dor de cabeça);
• Pescoço duro e doloroso (especialmente quando você tentar tocar com o queixo no seu peito).

Embora estes sintomas frequentemente se desenvolvam de repente, em apenas algumas horas, estes também podem desenvolver-se ao longo de 1 a 2 dias.

Outros sintomas da meningite podem incluir: 
• vômitos ou náuseas com dor de cabeça;
• confusão ou dificuldade de concentração (em pessoas muito jovem, e estas podem aparecer com incapacidade de manter contato com os olhos);
• convulsões (súbita contração violenta e incontrolável dos músculos);
• sonolência ou dificuldade de acordar (ou ficar acordado);
• sensibilidade à luz (fotofobia);
• falta de interesse em beber e comer;
• erupção cutânea, um indicador chave de envenenamento do sangue. Nestes casos deverá imediatamente recorrer à urgência do hospital.

Em recém-nascidos e bebés, os sintomas clássicos da meningite são febre, dor de cabeça, rigidez do pescoço, podendo ser difíceis de detetar ou podendo mesmo não estar presentes desta forma. Sinais de meningite nesta faixa etária podem incluir: 
• febre alta;
• choro constante;
• sonolência excessiva ou irritabilidade;
• inatividade ou lentidão;
• má alimentação;
• uma protuberância no ponto fraco situado em cima da cabeça de um bebé (moleira);
• rigidez no corpo e no pescoço de um bebê, e 
• convulsões, recém-nascidos com meningite podem ser difíceis de confortar, e podem até chorar mais. 

A identificação da meningite pode ser difícil. Nem todos os sintomas ocorrem em todas as pessoas. Alguns sintomas aparecerão, enquanto outros podem não aparecer, podendo causar dificuldades no diagnóstico de meningite, tornando-se ainda mais complicado pelo facto de que muitos sintomas são idênticos aos verificados no resfriado comum. No entanto, para além dos próprios sintomas, torna-se óbvio para qualquer pessoa que conviva com o doente de que este está ficando muito doente, de modo muito rápido.

Se suspeita de meningite, procure atendimento médico imediatamente.

Complicações associadas a meningite

A maioria das pessoas que contrai meningite, sobreviver, muitas vezes sem qualquer efeito posterior, mas, por vezes, estas doenças causam uma série de deficiências e problemas que podem alterar a vida das pessoas. Os efeitos negativos decorrentes de uma meningite podem ser temporários ou permanentes, quer sejam físicos ou emocionais. Por vezes as complicações da meningite podem ser severas. Quanto mais tempo você ou seu filho tiver a doença sem tratamento, maior o risco de convulsões e danos neurológicos permanentes.
Felizmente, muitos problemas melhoram e desaparecem com o tempo. Algumas das complicações mais susceptíveis de serem causadas por meningite incluem: 
• problemas de audição (surdez, perda auditiva, zumbido, tontura, perda de equilíbrio);
• mudanças na visão, cegueira;
• dificuldade de memória (perda de memória, dificuldade em reter informações, falta de concentração);
• falta de jeito, problemas de coordenação;
• dor de cabeça residual;
• problemas de fala, perda da fala;
• dificuldades de aprendizagem (que vão desde deficiências temporárias de aprendizagem até deficiência mental a longo prazo);
• problemas de comportamento;
• danos cerebrais;
• fraqueza, paralisia ou espasmos de parte do corpo (se permanente, designa-se de paralisia cerebral).

Outras complicações que podem ocorrer na sequência de uma meningite podem incluir:
• insuficiência renal;
• insuficiência da glândula adrenal;
• choque e morte.

Felizmente, o diagnóstico precoce e a existência de tratamentos adequados podem minimizar a ocorrência de danos posteriores.

Epidemias de meningite

As epidemias de meningite são causadas por uma bactéria chamada meningococo (Neisseria meningitidis). Normalmente ocorrem na época fria e seca. A via de transmissão é a via respiratória. As epidemias são mais frequentes em comunidades fechadas, principalmente quartéis. Mas podem ocorrer em qualquer comunidade onde as pessoas vivem em más condições, com muitas pessoas dormindo no mesmo quarto e falta de ventilação.
Durante as epidemias de meningite devida ao meningococo podem morrer muitas pessoas.
Sempre que surja um caso de meningite deve-se pensar na possibilidade duma epidemia.
Deve-se ter sempre presente que um caso de meningite meningocócica pode ser indicativo do início duma epidemia, especialmente nos lugares onde muitas pessoas estão juntas, como os quartéis, creches, internatos, orfanatos, acampamentos. Numa zona rural, apenas um caso é sinal de alerta dum possível epidemia.

Principais sintomas de meningite

Os principais sintomas de meningite são febre, cefaléia intensa, vômitos, prostração, sinais de irritação meníngea e mal estar geral. Podem ocorrer convulsões, diminuição do nível de consciência, exantema (que varia desde quadros discretos até o aspecto petequial ou hemorrágico) ou mesmo necrose de extremidades. Em indivíduos menores de nove meses os sinais de irritação meníngea estão frequentemente ausentes, e o quadro é inespecífico (febre ou hipotermia, vômitos, abaulamento de fontanela, convulsões, prostração, recusa alimentar, irritabilidade ou letargia). As manifestações cutâneas também podem ocorrer nesta faixa etária.
O controle das meningites é feito principalmente através da vigilância constante da ocorrência do agravo na população e da adoção das medidas de controle pertinentes a cada situação em particular. Mesmo com a constante vigilância, entretanto, muitos casos e alguns surtos da doença ocorrem todos os anos, em todo o mundo. Medidas de higiene são importantes para diminuir o risco de transmissão da doença.
Destacamos como especialmente relevantes na prevenção das meningites os seguintes procedimentos: usar lenços de papel ao tossir ou espirrar, manter os ambientes (incluindo residências, locais de trabalho, veículos de transporte coletivo etc) sempre bem ventilados e com incidência direta de luz solar, evitar frequentar locais com aglomeração de pessoas, lavar bem as mãos com água e sabão após espirrar ou usar o banheiro, ao chegar à casa vindo da rua e antes de se alimentar, não compartilhar copos, talheres e outros utensílios sem higiene prévia, não compartilhar garrafas de água e porções de alimentos, manter uma boa nutrição e hábitos saudáveis de vida em geral.

Conceito de meningites

As meningites, inflamações das membranas que recobrem o sistema nervoso central, apresentam etiologias diversas, como infecção por bactérias, vírus, fungos e parasitas, além de algumas causas não infecciosas.
São doenças endêmicas, que ocorrem em todo o mundo, tanto em zona rural quanto em áreas urbanas, e podem acometer indivíduos de todas as idades, principalmente crianças.
A doença de etiologia bacteriana é mais frequente no inverno e na estação seca, mas casos esporádicos são notificados durante todo o ano. A bactéria pertencente à espécie Neisseria meningitidis (meningococo) têm potencial de produzir surtos, por vezes explosivos. No chamado “cinturão africano das meningites”, região que inclui vários países do norte da África, já houve registro de epidemias com taxas de incidência de até 1000 casos por 100.000 habitantes.
Tanto o meningococo quanto outros microrganismos podem causar quadros graves, por vezes de início súbito, que podem levar ao óbito em menos de 24 horas, ou deixar seqüelas permanentes. A transmissão das meningites ocorre a partir da inalação de gotículas de secreção de vias aéreas contendo microrganismos, ou através do contato direto com as mesmas. Na maioria dos casos esporádicos da doença, a transmissão ocorre a partir de portadores assintomáticos.

Meningites

As meningites são doenças graves, de evolução rápida, cujo prognóstico depende fundamentalmente do diagnóstico precoce e da instituição imediata de tratamento adequado. Caracterizam-se por febre alta e repentina, cefaléia intensa, náuseas, vômitos muitas vezes em jato, com sinais de irritação meníngea e alterações do líquor, acompanhados algumas vezes por manifestações cutâneas tipo petéquias. São características de irritação meníngea: rigidez de nuca (limitação à flexão do pescoço e à retração da cabeça devido à dor); Sinal de Kernig (flexão da perna sobre a coxa e desta sobre a bacia ao se elevar o tronco, quando em decúbito dorsal) e Sinal de Brudzinski (mesmo movimento de flexão ao se antefletir a cabeça). 
Dependendo do grau de comprometimento encefálico, podem aparecer também convulsões, paralisias, tremores, transtornos pupilares, hipoacusia e ptose palpebral. Delírio e coma podem surgir no início da doença e casos fulminantes com sinais de choque. 
Esses sintomas, no entanto, nem sempre estão presentes no seu conjunto, o que pode levar as dúvidas para o seu diagnóstico, principalmente na fase inicial da doença. A coleta e a análise do líquor, no entanto, constitui fator essencial para esse diagnóstico. Crianças abaixo de nove meses, raramente apresentam sinais de irritação meníngea.  Outros sinais permitem a suspeita, como, febre, irritabilidade, grito meníngeo, recusa alimentar, vômitos, convulsões e abaulamento da fontanela.

Prevenção e controle da meningite

Para alguns dos agentes infecciosos causadores das meningites é possível dispor de medidas de prevenção primária, tais como vacinas e quimioprofilaxia. O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para um bom prognóstico da doença.


1 QUIMIOPROFILAXIA
A quimioprofilaxia não assegura efeito protetor absoluto e prolongado, mas é uma medida eficaz na prevenção de casos secundários, sendo indicado para os contatos íntimos nos casos de doença meningocócica e meningite por Haemophilus influenzae e para o paciente no momento da alta (exceto se o tratamento foi com ceftriaxona, pois esta droga é capaz de eliminar o meningococo da orofaringe). A rifampicina é a droga de escolha para a quimioprofilaxia, administrada em dose adequada e simultaneamente a todos os contatos íntimos, no prazo de 48 horas da exposição à fonte de infecção, considerando o período de transmissibilidade da doença. O uso restrito da droga evita a seleção de meningococos resistentes.

2 IMUNIZAÇÃO
As vacinas contra meningite são específicas para diferentes agentes etiológicos, sendo que algumas fazem parte do calendário básico de vacinação da criança e outras estão indicadas apenas em situações de surto.
A educação da população em saúde é uma forma de prevenir e controlar doenças infecciosas. Portanto, a população deve ser orientada para os sinais e sintomas desta doença, hábitos, condições de higiene e disponibilidade de demais medidas de controle e prevenção, como quimioprofilaxia e vacinas. A população deve procurar o serviço de saúde imediatamente em caso de suspeita da doença.
As estratégias para prevenção e controle incluem:
- Orientação sobre higiene corporal e ambiental, bem como manutenção de ambientes domiciliares e ocupacionais ventilados, evitando aglomeração depessoas em ambientes fechados;
- Mecanismos de transmissão da doença;
- Capacitação de profissionais de saúde para diagnóstico e tratamento precoces;
- Notificação de todos os casos suspeitos às autoridades de saúde;
- Investigação imediata dos casos notificados como meningite;
- Realização de quimioprofilaxia dos contatos íntimos, quando aplicável;
- Manutenção da cobertura vacinal contra BCG e Hib;
- Detecção precoce e investigação rápida de surtos;
- Realização da vacinação para bloqueio de surtos, quando aplicável.

Meningite em crianças

  • A escolha do antibiótico para o tratamento da meningite aguda da criança sempre foi, na maior parte dos casos, empírica; levando-se em consideração as bactérias incidentes na faixa etária do paciente.
  • Classicamente, os estudos epidemiológicos determinavam que o tratamento antibiótico deveria focalizar nos recém-nascidos os bacilos entéricos gram-negativos, o estreptococo do grupo B e, eventualmente,a listeria; em crianças de 3 meses a 5 anos -o pneumococo, o hemófiloe o meningococo; nos maiores -o pneumococo e o meningococo.
  • Para estas bactérias a escolha terapêutica preferencial seria uma cefalosporinade terceira geração (enterobactéria/hemófilo), penicilina (meningococo/pneumococo), ampicilina(listeria), ou penicilina e aminoglicosídeo(estreptococo).

Meningites Crônicas

  • Meningite crônica é uma síndrome que se caracteriza por febre, cefaléia, letargia, confusão mental, náuseas, vômitos, rigidez nucal, com alterações liquóricas, com duração de 4 semanas ou mais.
  • Geralmente, a meningite crônica atinge indivíduos cujo sistema imune está comprometido devido à AIDS, à um câncer, à outras doenças graves, a medicamentos anticâncer ou ao uso prolongado de prednisona.
  • Alguns organismos infecciosos podem invadir o cérebro e desenvolver-se muito lentamente, causando sintomas e lesões de uma forma gradual. Os mais comuns são o fungo Cryptococcus; o citomegalovírus; o vírus da AIDS; e as bactérias que causam a tuberculose, a sífilis e a doença de Lyme.

Meningite fúngica

As meningites causadas por agentes fúngicos podem ocorrer como infecções oportunistas ou surgir em hospedeiros imunocomprometidos (diabetes, doença maligna, terapia iminossupressora ou AIDS). Os agentes patológicos habituais são:
Cryptococcus neofarmans, Coccidioides immitis, Candida albicans, Aspergillus spp, Histoplasma capsulatum, Blatomyces e Mucor spp. A meningite crônica pode ser causada por fungos dos gêneros Coccidioides e Candida.
O diagnóstico feito por exame de LCR mostra pleiocitose mista, com predomínio linfocítico, níveis elevados de proteínas, níveis de glicose normais ou ligeiramente diminuídos; coloração de tintura da Índia pode identificar Cryptococcus; geralmente cultura positiva para fungos e teste de aglutinação com látex para antígeno criptocócico sensível para este organismo.
Devido a variabilidade clínica e patológica, a resposta à meningite criptocócica depende do estado imunológico do paciente. Os criptococos do LCR podem provocar desde uma resposta inflamatória trivial, mesmo com grande número de organismos nos espaços subaracnóide e perivascular (pacientes com depressão de imunidade) até meningite crônica acentuada. A evolução clínica pode ser indolente por meses ou anos, ou pode ser fulminante ou fatal em duas semanas.
Geralmente, a meningite fúngica causada por Mucor e Aspergillus leva à inflamação e necroses locais e o desbridamento cirúrgico pode ser necessário. A meningite crônica resulta da reação inflamatória contínua no espaço subaracnóide e a fibrose aracnóide pode causar hidrocefalia; a endarterite obliterativa pode resultar em isquemia ou infarto do encéfalo que depende da artéria ocluída, com resultado catastrófico como na oclusão da artéria espinhal anterior.
Hidrocefalia, paralisia dos nervos cranianos, arterite com infarto cerebral e formação de abscessos são algumas das complicações descritas para a meningite fúngica).
Biópsia, cultura de tecidos ou sorologia são métodos confiáveis para diagnóstico de infecções fúngicas intracranianas.
A base do tratamento das infecções fúngicas é a anfotericina B, seguindo protocolo bem estabelecido em função de sua alta incidência de toxicidade, com 1 mg por dia, dobrando-se a dose diariamente até alcançar 16 mg/dia, para alcançar a<dose terapêutica de 0,5 a 1,5 mg/kg por dia. Fluocitosina,<miconazol, cetoconazol e fluconazol são efetivos anti-fúngicos.
Todos os grupos etários são susceptíveis à infecção fúngica. A cura<permanente é exceção, com mortalidade comum, especialmente nas infecções nãocriptocócicas<(50-90%) e os pacientes com infecções criptocócicas normalmente precisam de tratamento por toda a vida.

Tratamento de meningite viral

O tratamento das meningites virais é de suporte: 
antitérmicos como dipirona, antieméticos (metoclopramida), cabeceira elevada a 30º. Se o paciente estiver sonolento ou confuso ou com dificuldade de deglutição, deverá ser mantida sonda nasogástrica para hidratação adequada e evitar broncoaspiração.
Nos casos de herpes vírus pode ser utilizado o aciclovir com a seguinte posologia: 10 mg/kg/dose a cada oito horas, por 14 a 21 dias. A punção liquórica alivia a cefaléia por diminuir a pressão intracraniana.
Os casos de internação são excepcionais, apenas para evitar a desidratação provocada pelos vômitos, diminuir a cefaléia e melhorar as condições gerais. O uso de corticosteróides é discutível, assim como a gamaglobulina.
Em surtos do tipo caxumba, faz-se busca ativa dos casos e o bloqueio da transmissão por meio da imunização.

Meningite viral

A meningite viral caracteriza-se por um quadro clínico de alteração neurológica, que, em geral, evolui de forma  enigna. Os casos podem ocorrer isoladamente, embora o aglomerado de casos (surtos) seja comum.
Indivíduos de todas as idades são suscetíveis, porém a faixa etária de maior risco é a de menores de cinco anos. Aproximadamente 85% dos casos são devido ao grupo dos Enterovírus, dentre os quais se destacam os Poliovírus, os Echovírus e os Coxsackievírus dos grupos A e B 1,2. O manejo deve ser adequado para cada etiologia. Apresentam-se a seguir as principais etiologias, manejo, possibilidade diagnóstica e tratamento desta entidade nosológica.
A meningite viral é geralmente benigna, na maioria dos casos com líquor de celularidade de 50 a 500 células/mm, com predomínio de linfomononuclear.
Caracteriza-se por um quadro clínico de alteração neurológica que, em geral, evolui de forma benigna.
Os casos podem ocorrer isoladamente, embora o aglomerado de casos (surtos) seja comum. Indivíduos de todas as idades são suscetíveis, mas a faixa etária de maior risco é a de menores de cinco anos (Tabela).
Agentes etiológicos mais freqüentes No grupo dos Enterovírus, destacam-se os da família Picornaviridae: Echovirus, os Poliovírus e os Coxsackievírus dos grupos A e B.
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